Recebi esta homenagem de um amigo novo, mesmo sem inspiração parece que ainda inspiro algo (bochechas coradas...rs)
Obrigada Celso!
Menina feita mulher feita musa feita deusa.
Te descobrindo ponto a ponto, linha a linha.
Cada pincelada um deslumbramento
Descortinada, arrebatada à ribalta, se traduz.
Sempre um passo à frente, um degrau acima, inatingível, surreal.
Escudo, espelho e verdade.
Alada, pairas sobre a pequenês de tudo...
constelada, guia e luz.
Se tuas lágrimas salpicam o céu,
teu sorriso rasga o vel, auroras...
Triunfante, onisciente do que queres e possuis.
Afrontas o medo do caminho.
À frente sempre...
à fronte os louros...
às mãos as armas, divina e mortal...
Áurica, radiante mítica vitoriosa.
Além do idealizado mármore, pulsas.
Única...
Anike!
9 de set. de 2008
21 de ago. de 2008

Sem nenhuma inspiração, nenhuma...
Retorno de Saturno segundo o amigo Chico, pode ser também os restos de mais alguém que não ficou e ainda não sei o que fazer, pode ser melancolia, falta de dinheiro, é provavel que seja a ação do tempo, um tempo estranho...
Tempos de ouvir outras coisas, para não ouvir os sambas que amarravam uma história que findou, então salve o Sérgio Sampaio, que tem melodicamente me feito sorrir!
Ai, ai...
Em nome de deus
Sérgio Sampaio
Eu nunca pensei que pudesse querer
Alguma mulher como quero você
Se o mago soubesse
Juntasse o meu nome em S
Ao seu nome em C
Nas cartas de todo tarot que houver
Em todo o I-Ching eu podia não crer
Mas tudo é tão verde em seus olhos
Não dá pra não ver
Mas tudo é tão verde em seus olhos
Você que se esconda, que eu vou procurar
Você nem se iluda, que eu vou lhe encontrar
Você pode ir e sair e sumir por aí
Que não vai se ocultar
Eu vejo seu rastro onde ninguém mais vê
Eu pego carona até na Challenger
E vou nos anéis de Saturno buscar por você
E vou nos anéis de Saturno
Sem ser João Batista, você batizou
Meu corpo na crista das ondas do mar
E aí me abriu feito ostra
E colheu minha pérola pra Yemanjá
Agora que estou à mercê de sua luz
Em nome das águas lá de Bom Jesus
Em nome de Deus, me carregue
Me pregue em sua cruz
Em nome de Deus, me carregue
23 de jul. de 2008
casa completamente entregue aos meus bichos soltos. jaguatirica de boteco. novas tentativas com novos sons e temperos. remendos retalhos. minhas queridas escudeiras continuam a me defender. saudosismo reflexivo para tempos de invasões bárbaras. três reis magos passaram e não me deixaram nada. bagunço tudo. não sou tão frágil quanto posso parecer. não como pelas bordas. me jogo de cara no prato. sou tormenta carinhosa. flores selvagens na mesa. não venha ave rapina não pense que levou minha paz. sou tempestade disfarçada de garoa. continuo na guerra insana pela descoberta. já fui a criança mais linda do mundo. sigo mesmo sem você. falta um pedaço do livro que colori. minha estante está cheia de poesia e mar. meu rio se despede das águas escuras. vejo de novo o brilho das coisas que esqueci. memória instantânea com fermento biológico. esfinge na madrugada fria. meu batom vermelho e eu fizemos um pacto. me resta sorrir.
4 de jul. de 2008

bem-vindo! não se assuste. tenho uma impressão boba da vida. tempo medido pelas sensações. criança hedonista. não enxergo um palmo além do que posso entender. o oficio me rende momentos de distração. minha selvageria eu canso com a labuta. horas árduas de cansaço transcendental. por não saber onde ir sempre chego ao lugar certo. enxergar muito ver pouco. a única certeza é o amor. mesmo na recusa. mesmo em sua ausência. porque amar me parece um gesto quase solitário. a falta de ti eu sinto em mim. pedaço que perdi logo que encontrei. tenho essa impressão boba da vida. misturo a finitude e a eternidade. moram juntas na caixa de xadrez. antes disso era só compreensão. aprendo a viver e morro aos poucos. agora há de fato uma vida. já não sinto os minutos contundentes. sinto algo que se alastra criando um novo caminho. força de uma história. tenho uma impressão inquieta da vida. que só sossega nos teus braços...
Imagem - Louise Bourgeois , Recent works.
9 de jun. de 2008
toda lágrima caída uma espera. toda ausência sentida uma busca. toda essa casa ainda inacabada outra metade. todo trabalho árduo matar a saudade. todo o coração contido um medo. toda essa mulher puro desespero. vou em frente nem sei porquê. tem um pouco de meu pai. tem um pouco de minha mãe. tem um pouco de arte. tem um pouco só vontade. tem aquilo que não sei o quê. tem a magia que ainda vive. tem a criança que me habita. tem a vida que me chama e eu não sei dizer não. tenho disponibilidade para o sorriso e a dor. tenho em mim a mais pura ingenuidade e a maior força. não me entrego ao conforto nem ao cômodo. continuo pequena e destemida. carente e frágil. sou uma mulher. sei o meu legado. tenho o estranhamento de Clarice. a culpa de Adélia. arteira Camille. rompante Elis. Amélia Atenas Afrodite. na tristeza Dolores. na solidão Hilda. na fé Iemanjá. na angústia Abramovic. na expressão da dor Bibi. colorida Carmem. no grande amor hei de ser Marieta Dorine Beauvoir.
28 de mai. de 2008
uma gatinha pela casa. enroladinha em seu novelo de sentimentos. branquinha como alma de bebê. dentro guarda a fera a bela a bruxinha dela. fêmea completa com todos os jeitinhos. mil almas da bichana. olhares atentos. dengosa soturna. carinhos bem lentos para não arranhar seu coração.
lá vai ela arrastando pela casa toda sua solidão...
lá vai ela arrastando pela casa toda sua solidão...
27 de mai. de 2008
trago o peito marcado e a vontade de viver. não desisto fácil e sei esquecer. vivo o passado no futuro e o presente a mercê. ando pequena para disfarçar meu universo. sou gente grande querendo ser o inverso. vou com a maré com a ralé com o que vier. presto atenção nas escolhas mas não no caminho. vivo na cidade mas construo é meu ninho. já fui mais sozinha e continuo passarinho.
vôo longe
um pouco aflita
e essa angústia maldita?
antes voar mais e pensar menos...
vôo longe
um pouco aflita
e essa angústia maldita?
antes voar mais e pensar menos...
20 de mai. de 2008
procissão da saudade na rua do não. passei carregando a minha cruz. te achei me perdi. odoiá minha mãe. as orações não funcionaram. minha fé se esvai. fui peão nesse jogo. acreditei ter encontrado meu bem. fostes tão displicente com o sagrado. restituo minha crença. desisto desta penitência. estandarte da dor. meus sentimentos enfeitam seu chão. resignada te abandono. seu santo não quis o meu. tristeza em riste. meu coração de novo judiado. vigília em minh'alma. minhas preces estão gastas. anjo da guarda seca minhas lágrimas. você era meu e não sabia. derradeira declaração. não sei o que fazer com o que era para ser seu. dei mais do que você podia receber. via crucis da paixão. quanto pecado suporta um amor? veio bandido se foi ferido. ELE não perdoa seu medo. em volta a aridez. vou apagar aquela promessa. começar uma novena. refazer os meus pedidos. me proteger da solidão.comprar um patuá. desistir de te buscar. exagerar na oração.
Obra "Anunciação" de Farnese de Andrade.
15 de mai. de 2008
estou aqui nesse lugar iluminado de tristeza. meu tempo está curto como meus cabelos. minha casa mais vazia que nunca chora quando eu saio. aquele homem nunca mais apareceu. insisto no impossível porque gosto da possibilidade do milagre. parece-me que alguma coisa em breve vai acontecer. os dias tem sido lindos longos criativos. o medo não tem aparecido. continuo à flor da pele. o oratório anda silencioso. perdi quilos gargalhadas carinhos em horas de burocracia. justo. sou essa mulher que continua sem estrela guia. trilho sozinha o caminho que mapeei para meu bem. às vezes nada tem sentido. continuo mendigando o que me devia ser dado. dar receber. só cheguei até aqui porque não gosto de ficar parada. anti passiva autista autônoma. umas cinco pessoas elogiaram meu sorriso nos últimos dias. fico feliz com isso. posso andar desacompanhada. continuo só amor e estranhamento. não estou ao Deus dará. conjugo os verbos no tempo certo e Saravá!
30 de abr. de 2008

Estou lendo Carta a D. , de André Gorz e acho que nunca li nada parecido em se tratando de amor... olhos constantemente marejados embaçam a leitura. Este lindo casal viveu junto durante quase sessenta anos. Dorine, sua mulher, foi sua amiga, musa, companheira de cama e trabalho e tornou-se a figura central na vida de André, incentivando sua escrita, carreira e silêncio... Neste livro ele conta essa história e faz a gente acreditar que os encontros são possíveis e que no fim, o que realmente importa é o amor. Se você está sofrendo por alguém, prepare os lencinhos.
Segue o primeiro paragrafo do livro:
"Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher."
ai, ai...
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