23 de ago de 2009


Às vezes a gente tem a ilusão de que quando a gente conquistar certas coisas a vida vai estar perfeita...Não é assim, você já percebeu? Você conquista uma coisa que vem com um pacote. Neste pacote vem um manual de instrução, regras, mudanças necessárias, bula com os efeitos colaterais e contra-indicações e por aí vai.

Só agora entendo o que significa “a insustentável leveza do ser” e já tenho mais de uma interpretação.

De repente vivo um filme que algum dia eu construí na minha cabeça... ser livre, independente, trabalhar com arte, viver a arte, ter alguém...

E sem perceber, achando sempre que estava muito longe disso, aqui estou eu, vivendo exatamente o que a menina da estrada de barro e noite estrelada sonhou, essa é minha vida agora.

Eu deveria estar plenamente feliz, não?

E eu que aprendi a lhe dar com o presente, a desistir de reclamar e assumir o que se apresenta, me vejo agora numa situação que me deixa dormente e com vontade de correr ou gritar.

Eu não quero renegar o que conquistei, mas não sabia que vinha com esse pacote.

Chego cansada e não tenho mais amor suficiente para doar. Não tenho tempo para ver meus amigos e passar aqueles momentos que a vida faz pleno sentido. Assumo responsabilidades acreditando que posso realmente dar conta de tudo e me sinto desapontada e triste percebendo que quando você oferece muita energia para uma coisa, não sobra para as outras.

Que mundo difícil para os apaixonados, a efemeridade e a velocidade de fato não combinam com um poeta.

Eu ainda não me acostumei e talvez nunca me acostume com o telefone tocando o tempo inteiro, com milhões de e-mails para responder, com o fato, de que por mais que você goste de uma pessoa no trabalho a relação é diferente.

Também não sei o que fazer quando o amor começa a despencar nas brigas cotidianas mesmo com meu coração cheio de amor.

E por mais bem intencionada que eu seja sempre existe a grande possibilidade de estar falhando com as pessoas mais importantes.

É um quebra-cabeça difícil a história que queremos construir.

Queria de novo ser criança e só brincar e me sentir ansiosa simplesmente com a possibilidade da chuva no dia que meu pai disse que ia me levar até a praia...

Hoje eu tiro as reticências do meu texto, escrevo seca como o vinho que bebo, choro sozinha pelos cantos com vergonha de falar o que se passa dentro de um peito que abarca o mundo e não dá conta nem do seu pequeno espaço.

Se eu tivesse uma rosa ela morreria rápido.

No meu planeta estamos em crise, meus reis estão de férias.