3 de nov de 2009


Clica na imagem, respira fundo, vai até uma floresta e lê!
quando sinto muito, tenho dor de cabeça. não destas que acometem os tensos e aflitos. é uma dor de mistura, meu ser se encontrando, se chocando. continuum do susto. a estranheza da dimensão que completa nosso mapa mas não está no atlas. um continente perdido, cheio ainda de mitologias. minha deusa é alada mas meu culto é incerto. e minha cabeça dói enquanto os estranhos se cumprimentam.

Recapitulando...



11 de set de 2009

acumulo milhões de objetos para me defender. minha casa possui habitantes novos e velhas angústias. a frase ficou na minha cabeça como mantra. “ele era o homem mais feliz do mundo”. todos os dias ela se repete dentro de mim. minha incompetência é latente. queria apenas me entregar ao inanimado. ainda assim muitos não desistem de mim e isso me deixa triste. se foi tão feliz foi permissivo com a loucura. não consigo seguir a lei do Zorba. me apego ainda as armadilhas. algemas coloridas e encantadas. meu pai ficou com todas as chaves. sinto vontade de gritar não a máscara velha e batida. preciso de organizadores espaço marca passo. meu corpo me abandonou. me deixem em paz. quando vocês desistirem finalmente vou florescer.

23 de ago de 2009


Às vezes a gente tem a ilusão de que quando a gente conquistar certas coisas a vida vai estar perfeita...Não é assim, você já percebeu? Você conquista uma coisa que vem com um pacote. Neste pacote vem um manual de instrução, regras, mudanças necessárias, bula com os efeitos colaterais e contra-indicações e por aí vai.

Só agora entendo o que significa “a insustentável leveza do ser” e já tenho mais de uma interpretação.

De repente vivo um filme que algum dia eu construí na minha cabeça... ser livre, independente, trabalhar com arte, viver a arte, ter alguém...

E sem perceber, achando sempre que estava muito longe disso, aqui estou eu, vivendo exatamente o que a menina da estrada de barro e noite estrelada sonhou, essa é minha vida agora.

Eu deveria estar plenamente feliz, não?

E eu que aprendi a lhe dar com o presente, a desistir de reclamar e assumir o que se apresenta, me vejo agora numa situação que me deixa dormente e com vontade de correr ou gritar.

Eu não quero renegar o que conquistei, mas não sabia que vinha com esse pacote.

Chego cansada e não tenho mais amor suficiente para doar. Não tenho tempo para ver meus amigos e passar aqueles momentos que a vida faz pleno sentido. Assumo responsabilidades acreditando que posso realmente dar conta de tudo e me sinto desapontada e triste percebendo que quando você oferece muita energia para uma coisa, não sobra para as outras.

Que mundo difícil para os apaixonados, a efemeridade e a velocidade de fato não combinam com um poeta.

Eu ainda não me acostumei e talvez nunca me acostume com o telefone tocando o tempo inteiro, com milhões de e-mails para responder, com o fato, de que por mais que você goste de uma pessoa no trabalho a relação é diferente.

Também não sei o que fazer quando o amor começa a despencar nas brigas cotidianas mesmo com meu coração cheio de amor.

E por mais bem intencionada que eu seja sempre existe a grande possibilidade de estar falhando com as pessoas mais importantes.

É um quebra-cabeça difícil a história que queremos construir.

Queria de novo ser criança e só brincar e me sentir ansiosa simplesmente com a possibilidade da chuva no dia que meu pai disse que ia me levar até a praia...

Hoje eu tiro as reticências do meu texto, escrevo seca como o vinho que bebo, choro sozinha pelos cantos com vergonha de falar o que se passa dentro de um peito que abarca o mundo e não dá conta nem do seu pequeno espaço.

Se eu tivesse uma rosa ela morreria rápido.

No meu planeta estamos em crise, meus reis estão de férias.





18 de jun de 2009


Essas belezinhas aí foram pintadas por mim, me inspirei nas pinturas do Hundertwasser, que é um cara sensacional, artista, arquiteto, ecologista, enfim uma dessas criaturas que te inspiram a viver!
Se vc quiser conhecer ele melhor, vou deixar um link!
Se vc quiser um tênis eu pinto para vc!

http://www.hundertwasser.at/

8 de jun de 2009


em breve, se tudo der certo e eu conseguir mergulhar no arco-íris que eu vejo logo ali, pela janela da condução, outras imagens vão colorir este canto...

essa menina reflexiva foi desenhada numa daquelas noites frias que só se aquece com amor e tintas.

e é uma pequenina parte de um universo que começa a se apresentar.

acho que ela se chama Esperança!

4 de jun de 2009

Era um pedaço da minha coxa, como se fosse no Macunaíma, que perdido de mim, eu não sabia.

Com a carne de volta, meu coração bate certo, meu peito suspeito, resolve amansar.

Aí, aquela fera, de lúcifer e quimera, para uma gato ronronando ou uma criança manhosa, são dois passos, ou um olhar...

Eu já fui das minhas mil, mais ou menos, aproximadamente em média, umas trezentas almas.

Delas eu guardo poucas lembranças, lembro muito das sem caráter, das heroínas e das erradias.

Aí, recebi o amuleto. Em terra de cego, antes tarde do que nunca!

Minha muiraquitã, minha pequena órfã...

De pátria e de amor,

Deixemos para lá toda a rapsódia...

No verde e amarelo (ou em pratos limpos)

Deixo o limbo e minha Ci volta a reinar.

7 de mai de 2009



"ELA QUERIA SER NUVEM, EU QUERIA SER BICHO, EU QUERIA SÓ SENTIR, ELA QUERIA SÓ ESQUECER, DUAS MENINAS MULHERES, PRESTES A ENTENDER"

9 de fev de 2009

penso que a casa está mudando. ou pode ser que eu tenha realmente me libertado. isto faz eu me sentir flutuando insegura sobre o nada. o nada são as coisas que nos dizem que é tudo. e o tudo deve ser exatamente a casa que os loucos edificam. estar assim não me deixa feliz ou triste. porquê isso é o que já estava em mim e em todas as outras que eu já fui. na verdade é tudo muito simples. arranca o véu. anda pra frente. sem parar para pensar se a frente é um caminho reto. não confunda a vida com as palavras. faz delas tuas aliadas. numa simples teoria pode existir o seu universo. num simples sorriso tua salvação. pronto.

4 de fev de 2009

"Joy" - Marc Chagall

parou o tempo antes que eu pudesse perceber. se eu fosse ao passado ou me encontrasse no futuro te deixaria naquele instante. o cheiro me traz uma lembrança triste. seus olhos distantes de menino fugitivo amargam a língua. não fui tão longe para te ver ausente. ando sempre com uma faca e uma flor para as horas de emergência. meu silêncio desafinou. fui mantida em um mundo que não faço mais parte. tudo para realizar o sonho e entregar o carinho. não se contém o que é bom num mundo de tempestades. sua casa tão vazia quanto a minha aguarda a primavera an passan.

sobre um menino, um sonho e um domingo.
"Girl with leaves" - Lucian Freud


Tenho saudades do quintal da velha senhora, onde todos os tipos de flores se encontravam, desarmonizando-se felizes e multi cores. pelo copo-de-leite, nutria eu especial sentimento. Como uma flor pode ser tão branca e trazer consigo tanta alma... tanta lembrança?

O meu peito que é pequeno e confuso, sente agora um pesar difuso. E sente, tão desesperadamente, que parece antes nunca ter sentido nada.

Tenho pena do teu desejo contido, miserável e faminto que me comove mas não me ascende.Tenho pena dos bares vazios, da comida que fermenta na geladeira, esquecida e desperdiçada.

Tenho pena das palmeiras da alameda, onde os carros passam sem contemplação, atrasados de futuro.

Tenho pena das mulheres que nasceram meninas e também das que nasceram meninos, seminuas de desejo na calçada fria.

Tenho pena da crueldade inocente do aquário, que vive sem convivência, barreira invisível entre a dor e o nada.

Tenho pena dos copos quebrados que nunca m,ais sentirão o calor de um lábio impuro, o sabor de uma amargura.

Tenho pena da fumaça que sai do cigarro repleto de motivos, da lâmpada incandescente, piscando incessante até morrer definitivamente.

Tenho pena da coruja morta no meio da rua, visão triste e recente do improvável.

Tenho pena até dos gatos. Brancos, pardos, pretos... na noite clara, que incomoda o sono pela fresta.

Tenho pena do meu ódio remorso, amor congelado que não vê a si.

E maior do que qualquer outro, tenho pena do olhar desconhecido, que um dia também me olhou assim, compadecido.


Juliana Fernandes Vieira

Setembro de 2008

Minha amiga, irmã e parceira Juca Bala.


Deêm uma olhada na nova Ciberarte, o site do meu querido irmão Aleph Ozuas, que é só para os raros.



A sexta edição da Ciberarte , publicada no final de 2008, ganhou um projeto gráfico completamente novo, mais limpo, organizado e dinâmico.O novo design aposta em um tipo de navegação simples, objetiva eacessível, com uma interface preemptiva, que diminui a quantidade declicks para chegar ao conteúdo desejado.


Na sexta edição da Ciberarte você poderá acompanhar o som dos fluidos, a música para poucos, os espaços coletivos e esquecidos, o lesbianismonos quadrinhos, o admirável mundo novo, a recusa da guerra, o capitalismo infernal de Wall Street e o entulho planetário habitado pelas baratas.


Aleph Ozuas