30 de out de 2011

18 de ago de 2011

O gelo estala ao mesmo tempo que o trompete solta um agudo que me toca.

Entender demais das coisas é pura ignorância.

Sentir as coisas é uma sabedoria assoberbada pel0 juízo.

Entre a faca e o gume sempre preferi estar afiada,

defender o que não alcanço com minhas falhas.

Porque do pensamento, sempre me restaram farpas.

E do sentimento, fagulhas.

Antes sentir o calor das primeiras luzes alvas,

do que me perder na polar escuridão da razão.


1 de ago de 2011

Pousou em mim uma doçura
azul ou verde não sei bem
que chegou como chuva.

Com seus tons úmidos, lânguidos,
feitos todos de palavras ébrias
diluídas numa noite,
me fez santa e ave.

Uma vergonha tão pura se fez.
Pássaros, desenhos, reflexos,
arquivos empoeirados de poemas
soprados e inaudíveis.

E tons,
tons verdes e azuis da doçura abrasada
que me faltava nas asas.

22 de jul de 2011

caçadora, mas não jogadora.
não teço as estratégias porque de saída já quero me perder.
tabuleiro raso de damas e reis fustigados pelos lances erradios.

enfeito a tempestade para uma última partida,
não estou mais febril com a possibilidade de.
me deixo adentrar a floresta sem cavalos.

assim, corrente e sem firulas
na ventania de um pequeno instante
me alimento de você.

o tempo parou antes da conquista,
sigo caçadora.

um pedaço de ti,
ainda arranha minha garganta.

24 de jun de 2011

não me sinto mais aquela criança selvagem que você descreveu tão bem.
há tempos não nos vemos mas devo lhe contar
que eu não consigo mais amansar as águias.
elas agora me habitam de forma violenta
e por vezes posso sentir suas garras cortar meu sorriso.
desconfio que já não tenho a pureza
e nem a rebeldia necessária
para encantá-las.

sou criança frágil agora.
destas burras, de dar dó.

edifico amanhãs em ontens
procurando por minhas searas,
carente,
a luz daquelas velas que te fizeram ver.

mas brinco no escuro e me sinto de tão longe.


Me comunicando com P.M.C.

16 de jun de 2011

depois de ver a mão de deus ao meu lado na cama,
lhe pedi uma vida ordinária.
gozador como de costume
me colocou no centro da
generosa e cintilante cidade,
em noite de eclipse,
orcas e gorilas,
futebol.
acordei com uma fome de devorar(te)
me sentindo um poeta russo de meia-idade
e vodka nunca mais.

10 de jun de 2011

pelas janelas da memória, sou eu que desço as escadas, mato o monstro de passagem, educo meus pais. sempre fui indolente.





Detalhes de um novo livro, ainda sem título. Intervenção.

18 de mai de 2011

7 de mar de 2011

o barulho absurdo do trem que nunca peguei. não me levará pra nenhum lugar querido. destruí todos. o vento delicioso da cidade dormindo longe da euforia carnavalesca. desisti do carnaval por hora. a espera absurda de uma solução fenomenal. cansei de resolver as coisas racionalmente. a tristeza das células que criam um câncer. se não dou conta da carne. a vida lenta e noturna dos que duvidam e sentem por demais. a contradição, mãe dos que agradam, é uma fera.

10 de fev de 2011

desmonte seu brinquedo preferido e achará uma pérola. quero me concentrar no que é técnico e corriqueiro. mesmo com a apatia do amanhecer sonolento. é uma rebelião dos sentidos. quero esquecer a verdade canonizada em mim. viajar num tempo improvável e que quase se desprende de tudo. seguir em frente enganando as crianças que não usam a razão. esculpir o cotidiano com calos nos dedos. já não me surpreendo tanto. acovardei com o passar.

6 de fev de 2011

quero viver para ouvir o Boto. para ver o dia amanhecer com os amigos. para ouvir as conversas de bar. para ver as viagens de lá para cá. para ver o hoje atropelar o ontem. para ver o sol desmaiar com a gente. quero ver homem voar e flor andar... ir de casa em casa criando uma nova sinfonia. quero ver coisas absurdas e acreditar. quero ver velho virar criança e bicho achar que é gente. quero sair por aí e não achar nada. ver a lua crescer. para seguir, manter os sonhos. para sonhar, ter sempre as águas. para as águas, sempre amor. para amar, sempre a vontade.

29 de jan de 2011

não sei o que é segurança.
me apego as correntes marítimas?
me apego as contas para pagar.
me apego a dança da ventania?
me apego aos lençóis limpos.
quando criança estava sozinha no castelo assombrado.
tentei me agarrar no bigode de meu pai e nos cachos de minha mãe,
mas eles andavam muito rápido.
sozinha no fim de tarde me lembro de como é seguro não se apegar a nada.
mas logo me apego a hora do jantar, ao trabalho por fazer,
a alegria desiludida de amar e se saber amada.
quando dói é seguro?