18 de nov de 2008

sonhei com a morte e acordei com um medo absurdo. se sorte e azar dizem a mesma coisa que saída eu tenho? devo ler algo novo sobre interpretação ou semiótica em breve. espero que minha memória ajude. não tenho inimigos. não preciso, tenho a mim. ando falando bastante. coisas erradas pelos motivos certos. ou vice-versa. me recuso a acreditar que não há uma solução mágica para a angústia. amo mais e melhor. continuo sem namorado. dizer que não crio expectativas já é criar uma. meu corpo se expressa com dores agudas. me sinto uma fugitiva da torre de babel. perdida na simplicidade que se apresenta. as vezes as trevas se encontram com a luz. tenho a impressão que é nesse ínfimo instante que a paz surge. fique atento! pode ser que em algum caminho exista mais uma pista. me preparo para desvendar a loucura. antes que seja tarde. preciso tanto ir até o mato. comungar de novo. me despir. me abandonar. desta vez como deve ser.

6 de nov de 2008

Marc Chagall- Le Cirque bleu (1950)

meu cavalheiro de saia se foi. antes mesmo que eu pudesse desvendar sua segunda pele. o céu e as árvores deste fim de tarde estão terríveis. meu corpo reclama a sede da fonte que esvaziou. parece-me sem sentido dizer o quanto ainda chove aqui dentro de mim. surdo mudo e calejado das minhas contradições. a mulher interessante foi passar férias no Japão. me deixou essa boba e confusa menina desocupada. quanto a casa, deixo-a minimamente preparada para o retorno da deusa. as nuvens nervosas no agito do vento. as vozes das malditas crianças me lembram aquele outro mundo que habitei com tanto ânimo. agora este total descontrole de futuro e passado. presente em mim você como uma marca que nada pode tirar antes de sangrar. já fui a lugares distantes tentar entender. não há explicações para o que é tão profundo. posso decidir pelo certo, mas você não faz parte disto. nunca fui movida pelas escolhas certeiras. teimosia ancestral. meu rei, meu rei. mudei para te ver e perdi tudo no caminho a te buscar. ainda resta para você uma fidelidade grega. mesmo você cego de tanto se enxergar.