27 de fev de 2012

há mais confetes que emoção
na derrocada da quarta de cinzas.
ainda se pode ao longe ouvir pela memória
indizíveis gargalhadas,
todas banhadas em paetês e salivas,
todas confusas no tempo da brincadeira.
quem é o parvo que acredita nisso?
nessa ilusão programada,
nessa espera pelo Pierrô ou pela Colombina,
nessa contínua indecência de achar mágica
onde só existe corpo.
há mais retalhos agora para serem costurados,
hora de arranjar caprichosamente
um novo estandarte.



16 de fev de 2012

Para os ébrios e as evas.

Chegastes que nem um Barão ébrio,
em noite de fanfarra e como dizia o oráculo.
Por me tirares de uma palidez alegre,
sempre disfarçada em um incomodo,
de mulher-mar que não se aceita,
invadida, te invadi.
Ninguém pode me dizer:
Ninfa, harpia, menina!

Se tivesses Barão, sido inexato...
não terias assistido a fúria da mulher transcendental.
Nascida em um desterro,
só posso oferecer ondas e ventos.
Mas a brisa é suave, assim como a maré baixa.

Enquanto tu te conformas com teus encontros,
desconstruo igrejas a procura de Eva.
Que já não é verbo, não é pecado, não é nudez.
Só nos restam costelas e corações,
evas infinitas riscadas com um carbono,
que nunca virarão diamantes.

Isso começou, Barão, há muito tempo,
um tempo que há tempos não fala,
e calar sempre foi nosso,
um silêncio perturbador,
cheio de palavras que não dizem nada.

10 de fev de 2012

Elegia à Marc Fischer

Passo as horas quentes desta tarde de fevereiro tentando te encontrar Marc.
Por que você partiu assim sem receber sua dose de Bossa?
Agora sou sua Watson nesta investigação e é elementar que você estava exausto.
Mas... do que?
Da vida moderna, dos amantes enganados, da subversão da arte, da busca pela solução mágica contra a solidão e a estupidez humana?
Perdemos um romântico, perdemos mais uma alma sensível para o aferroador mundo das aparências.
Não te encontro Marc.
Você já deve estar em Capadócia contando suas histórias do Rio.
E eu, que sou esse deserto lotado de amor e insucessos,
nem te dei um beijo ao som de Ho-ba-la-lá.